quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

As previsões de alta nos valores este ano se concretizaram com o IGP-M em 11,32%. No DF, a falta de imóveis agrava o drama.

Pagar aluguel em Brasília pesa no orçamento. A valorização dos imóveis, o desequilíbrio entre oferta e procura e os índices econômicos elevados são os principais responsáveis pela alta dos valores pagos pela locação de imóveis na capital. Especialistas preveem que a tendência para 2011 é de aumento no valor dos contratos. Mas a mudança deve ser percebida apenas no preço, pois a quantidade de imóveis disponíveis continua insuficiente em relação à demanda.

É a lei do mercado que estabelece a relação entre demanda e disponibilidade de determinado produto no mercado. “No mercado de Brasília a questão entre oferta e procura tem uma influência forte no valor dos aluguéis. E essa relação está em desequilíbrio há algum tempo”, ressalta Guilherme do Valle, um dos diretores do Sindicato da Habitação do Distrito Federal (Secovi-DF).

No Plano Piloto, o alto poder aquisitivo de grande parte da população ajuda a encarecer o aluguel, já que a renda da população também influencia nos preços dos aluguéis. Guilherme acredita que a concentração do funcionalismo público no Plano Piloto e o desejo de morar próximo ao local de trabalho também contribuem para o aumento dos valores. Dados do Censo Demográfico 2010 revelam que a população do DF cresceu 25% nos últimos dez anos, o que estimulou o mercado de imóveis e elevou os preços dos aluguéis. Por sua vez, o Boletim de Conjuntura Imobiliária mostra que houve crescimento de 35,7% no número de imóveis particulares na última década e que a quantidade de imóveis vagos caiu de 9,3% em 2000 para 7,3% em 2010.

Os dois lados de uma mesma moeda


Magda acha que a previsão de alta nos aluguéis é natural
Casados há menos de um ano, a servidora Magda Affe, 50 anos, e o comerciante Vlaminio Alves, 52 anos, fazem da locação de imóveis um complemento na renda familiar. Os nove imóveis do casal, entre residenciais e comerciais, ficam em Taguatinga e são alugados por valores que vão de R$ 500 a R$ 1.500. Magda acha que a previsão de alta é natural. “O valor do aluguel estava muito baixo, com a inflação sempre acima do valor reajustado. Agora é que teremos um aumento significativo”, justifica.

Do outro lado da relação estão os locatários. Apesar de possuir um imóvel próprio de um quarto, a professora Solange Pinto, 43 anos, prefere morar de aluguel para ter mais mobilidade. Para que a relação com o proprietário dê certo, Solange acha o diálogo essencial. “Quando há um casamento bom entre proprietário e inquilino é ótimo. Porque a pessoa entende, conversa, negocia. Agora, se for um proprietário especulador e ganancioso, fica ruim”, diz.

A professora entende que a grande desvantagem do aluguel não é o valor dele, mas o risco de ficar sem o lar de uma hora para outra. “O maior prejuízo é, de repente, ter de entregar o apartamento dentro de um mês porque o proprietário quer. No ano passado, o dono pediu o apartamento de volta e me desesperei. Eu teria de sair de perto da minha mãe no meio de um mestrado, dando aulas, e com minha filha no meio do ano letivo. Seria um transtorno”, diz.

O remédio é pesquisar


Guilherme, diretor do Secovi-DF, diz que a oferta e a procura influenciam
Em tempos de reajustes elevados no aluguel, resta aos locatários pesquisar vários imóveis e negociar com os proprietários. “No caso de quem está procurando um imóvel para alugar, não há muita opção. As ofertas estão aí e não irão mudar. A pessoa pode tentar barganhar ao máximo, mas a redução não deve ser maior que 5%. E aos que estão alugando um imóvel e terão o reajuste de acordo com o IGP-M, devem esperar pelo aumento, que será maior do que o índice”, calcula Guilherme.

Pesquisar imóveis em outras regiões com características similares e aluguel abaixo do valor pago atualmente e apresentar ao proprietário para negociação também é uma opção, recomenda o diretor do Secovi-DF. “Se o proprietário tem um locatário que paga fielmente, ele pode achar que vale a pena mantê-lo por um preço menor por ser um bom pagador”, avalia. “Mas a posição do locatário frente ao aumento é delicada, pois, com o mercado em alta, ele não terá muito poder de argumentação com o locador”, conclui.

Fonte: Coletivo

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