quinta-feira, 16 de junho de 2011

Apesar do juro alto, consumidor usa linhas de custo maior, como cheque especial, para ir às compras

As famílias brasileiras estão adotando um comportamento de risco para driblar as medidas do governo para conter o consumo: em meio à alta dos juros e às dificuldades para obter linhas como a do crédito consignado, recorrem a empréstimos mais caros para continuar comprando. Isso ajuda a explicar por que os calotes vêm crescendo, segundo reportagem da agência Reuters.

"O aumento das linhas de financiamento mais caras - cheque especial e cartão de crédito - é um sinal das dificuldades de obtenção de crédito em outras linhas de financiamento pelos consumidores", afirmou à agência o economista Wermeson França, da LCA Consultores.

Desde dezembro, o governo tenta frear o consumo e a inflação com medidas restritivas do crédito e alta dos juros básicos.

Tiro no pé

Porém, o resultado não tem sido o esperado. Em vez de parar de fazer empréstimos, a alternativa das famílias foi pegar dinheiro em linhas mais caras. Em 2011, até abril, os empréstimos que mais cresceram foram os de cheque especial (21%) e cartão de crédito (11,5%). Nas modalidades mais baratas, a de veículos avançou 8,2%, seguida por crédito pessoal (6,6%) e consignado (6,7%).

Com prestações mais caras, muitos já não conseguem honrar seus compromissos, e a inadimplência deu um salto. Em maio, puxada pelas dívidas com bancos, a alta foi de 8,2%, segundo a Serasa Experian.

'Queima' de economias

Além da restrição ao crédito e juros maiores, a inflação também corrói a renda dos assalariados. Por isso, muitas famílias estão usando as economias depositadas na poupança e em fundos para bancar despesas do dia a dia.

A caderneta teve o maior resgate líquido para meses de maio desde 2006. Na indústria de fundos, os resgates somaram R$ 7,16 bilhões no mês, o maior volume desde dezembro.
Destak Jornal - SP - Seu Valor

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