terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Investidores 'psicopatas' ganham mais dinheiro na bolsa

Morgan Housel, do site Motley Fool, afirma que os investidores devem evitar memórias negativas na hora de investir

SÃO PAULO – Você sabe quais são as características de um bom investidor? De acordo com um estudo feito pela Universidade de Stanford,  são pessoas calmas, que sabem pensar no longo prazo e que possuem uma lesão específica em uma parte do cérebro.

O colunista do site Motley Fool, Morgan House, aponta que em 2005, um time de pesquisadores da universidade, em parceria com o pesquisador Carnegie Mellon e com a Universidade de Iowa, deram a um grupo de participantes 20 dólares cada. A partir daí, eles receberam uma proposta: poderiam jogar uma moeda para o alto 20 vezes. Se a pessoa perdesse a rodada, perdia 1 dólar. Se ganhasse, ganhava 2,50 dólares.

Nessa situação, todos deveriam fazer quantas tentativas fossem possíveis, uma vez que a chance de acertar que lado a moeda cairá é de 50%, e o prêmio por acertar é muito maior do que a penalidade para o erro.

No entanto, os pesquisadores encontraram apenas um grupo de participantes dispostos a fazer um maior número de jogadas: aqueles com uma lesão na área cerebral que controla as emoções.

Participantes com cérebros sem essa lesão jogaram a toalha após passar por uma sequência de derrotas. Pessoas não gostam de perder dinheiro, e mesmo com a probabilidade a favor, algumas perdas já vão fazer as pessoas desistirem.

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Contudo, aqueles cuja lesão no cérebro suprimiu as emoções continuaram apostando, mesmo com as perdas passadas. Sem surpresas, devido às probabilidades e ao sistema de pagamento do jogo, eles acabaram com mais dinheiro.

Um dos autores do estudo chamou esses jogadores de “psicopatas funcionais”, uma vez que seus cérebros lesionados os preveniram contra as emoções. Os 'não psicopatas' lembravam a sensação de perder e passaram a ficar mais cautelosos, suas memórias bloquearam o comportamento mais racional a se fazer.

Dinheiro e memória
Depois de perder a visão e os movimentos, pesquisadores mostraram que perder a memória é uma das coisas que as pessoas mais têm medo. No entanto, a maioria das pessoas não pensa em como a memória é capaz de 'ferir', inclusive no que diz respeito aos investimentos.

As pessoas costumam lembrar mais de eventos emocionais negativos do que dos positivos, especialmente no curto prazo. Para Housel, as pessoas querem evitar coisas ruins que aconteceram no passado, mas, por dar mais importância para as memórias negativas, elas passam mais tempo evitando más experiências do que tentando se beneficiar das positivas. Isso se chama aversão às perdas e é a mesma falha que as pessoas que desistiram do jogo das moedas têm.

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Pense no ponto de vista de um investidor. O mercado americano cai 50% em 2008 e no começo de 2009. Isso deixa uma memória negativa. Então ele tem uma alta de 130% nos anos seguintes. Isso proporciona uma sensação boa, mas nem próxima do choque que o investidor teve na época da queda. Assim, o investidor lembra muito mais vivamente do crash do que do rali de alta, e muda seu portfólio de modo que nunca irá sofrer com essa queda de novo. Dessa forma, o investidor acaba comprando títulos, guarda muito dinheiro e passa longe de ações. É possível encontrar uma série de casos assim e, segundo o colunista, isso acaba custando caro no longo-prazo.

Ilusões de riqueza
Investidores sofrem dessa falha também, afirma Morgan Housel. Martin Weber e Markus Glasser da universidade de Manheim mostraram que investidores não tem ideia de como realmente performaram e aqueles que foram pior são os piores em lembrar sua performance. O que as pessoas lembram muitas vezes não tem conexão com o que realmente aconteceu.

Então, o que fazer a respeito?

Uma das melhores maneiras de lutar contra memórias ruins enquanto investidores é manter um diário. Escrever exatamente como se sente toda vez que vender ou comprar uma ação pode ajudar.

Qualquer hora em que o investidor decidir mudar de seu plano de investimento original, ele deve consultar o diário, aconselha o colunista. Assim, ele pode descobrir como a memória pode ser falha.

O colunista cita então seu próprio exemplo: ele sempre afirma que crises no mercado são excelentes momentos para realizar compras, quando se pensa no longo prazo. No entanto, quando ele lê o que escreveu em 2008, Housel não deixa de notar o quão preocupado e nervoso estava. Ele conclui então que estava muito mais assustado na época do que pensa que estava.

Deixar um registro com as emoções no investimento é a única maneira de lutar contra a memória falha e o caminho perigoso que ela pode levar para o investidor. Pode ser que seja a única forma de investir como um psicopata, conclui Morgan Housel.

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