terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Plataforma apostará em custos competitivos; ainda não há data para o início da operação no País

NOVA YORK - Bats Brasil é o nome preliminar da nova bolsa que a Bats Global Markets, operadora global de bolsas de valores, quer criar no mercado brasileiro, revelou nesta terça-feira, 15, o chefe para desenvolvimento de negócios globais da empresa, Ken Conklin, à Agência Estado, ressaltando que ainda pode haver alteração no nome.

Assim como em outros mercados onde atua, Estados Unidos e Europa, a Bats revolveu entrar no Brasil para criar maior competitividade no mercado acionário, disse Conklin. "Há muita prática de monopólio nos mercados de ações. Vemos isso no Brasil e queremos tornar esse mercado mais competitivo, porque vemos no País uma grande oportunidade para atuar", afirmou.

A nova bolsa terá como um dos principais diferenciais os custos. Conklin citou como exemplo a operação da Bats nos Estados Unidos. Segundo ele, quando a empresa estreou no mercado norte-americano, em 2005, a Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) fazia uma receita de US$ 0,10 por 100 ações negociadas, enquanto a Bats começou com US$ 0,01 por 100 ações. Hoje, segundo ele, a NYSE faz receita de cerca de US$ 0,03 por ação e a Bats segue com o mesmo valor.

O executivo não revelou quando a nova bolsa começa a operar no Brasil, mas adianta que não será em 2011. Segundo ele, além dos custos competitivos, a nova bolsa quer oferecer melhor tecnologia e serviços. Na negociação de ações, a estratégia também é fazer como no mercado norte-americano. Lá a bolsa só negocia os papéis que estão listados na NYSE e na Nasdaq.

A Bats Brasil disse que deve negociar inicialmente ações, mas Conklin disse que a Bats Brasil pode num segundo momento negociar também derivativos. As ações negociadas serão das mesmas companhias listadas na BM&F Bovespa, via brokers (corretores).

A Bats Global Markets anunciou nesta terça que assinou um memorando de entendimentos com a gestora de recursos Claritas para explorar oportunidades no mercado brasileiro. Pelo acordo, as duas instituições irão trabalhar juntas na criação de uma nova bolsa de valores no País, que contará com serviços de clearing e custódia.

Conklin disse, contudo, que não poderia falar se a Claritas será sócia na Bats Brasil após a abertura da bolsa. O escritório de advocacia Freitas e Leite Advogados, especializado em finanças e mercado de capitais, atuará como consultor legal na operação.

A Bats Global Markets atua hoje nos Estados Unidos e na Europa, tendo representado 10,3% das ações negociadas em janeiro no mercado acionário norte-americano, com 1,3% da fatia do mercado do país. Todas as ações listadas na Nyse e Nasdaq podem ser negociadas na Bats Exchange. Na Europa, ao redor de 6% das ações são negociadas na Bats Europe. A Bats é uma empresa de capital fechado e Conklin se negou a comentar se ela poderia fazer uma oferta de ações para abrir o capital este ano ou em algum outro momento.

Sem parceria com a BM&FBovespa

O executivo disse ainda que a Bats não cogitou a possibilidade de algum tipo de parceria com a BM&FBovespa quando pensou em atuar no Brasil. "Não acreditamos que isso traria uma real competitividade", afirmou. Ele se negou, no entanto, a comentar se em algum momento a Bats teve conversas com a BM&FBovespa antes de decidir pela abertura da bolsa.

Conklin disse que a Bats olha com interesse outros mercados emergentes, como China e Cingapura, mas disse que por enquanto só há planos de entrar no mercado brasileiro. "Nosso foco hoje é o Brasil. É lá que vemos grandes oportunidades", explicou.

Fonte: Agência Estado

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