terça-feira, 12 de abril de 2011

Esta é uma ótima crônica que devemos meditar a respeito, pois o presente de nosso país está em nossas mãos. O que vamos deixar para nossos descendentes? filhos, netos?!!!

Vamos corrigir nosso país para que ainda possamos ter uma vida digna valorosa e com respeito.


No século 19, Victor Hugo se negou a apertar a mão de d. Pedro 2º, porque este era o imperador de um país que convivia com a escravidão. Hoje, Victor Hugo não apertaria a mão de um brasileiro para parabenizá-lo pela conquista da sétima posição entre as economias mundiais, convivendo com a tragédia social: o 88º lugar em educação, segundo a Unesco.

Somos o sétimo em valor do PIB, mas ignoramos que, segundo o FMI, somos o 55º país no valor de renda per capita, fazendo com que sejamos uma potência habitada por pobres. Mais grave: não vemos que, segundo o Banco Mundial, somos o 8º pior país do mundo em termos de concentração de renda.

Somos a sétima economia do mundo, mas de acordo com a Transparência Internacional estamos em 69º lugar na ordem dos países com ética na política, por causa da corrupção. A nota ideal é 10, e o Brasil tem nota 3,7.

Somos a sétima potência em produção, mas há décadas exportamos quase o mesmo tipo de bens e continuamos importando os produtos da tecnologia. Somos um dos maiores produtores de automóveis e temos uma das maiores populações de flanelinhas fora da escola.

Segundo um estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que pesquisou 46 países, o Brasil fica em último lugar em percentagem de jovens terminando o ensino médio. Segundo a OIT, a remuneração de nossos professores está atrás de países como México, Portugal, Itália, Polônia, Lituânia, Látvia, Filipinas.

Somos a sétima potência econômica, mas a permanência de nossas crianças na escola, em horas por dia, dias por ano e anos por vida está entre as piores de todo o mundo, além de que temos, certamente, a maior desigualdade na formação de cada pessoa, conforme a renda de seus pais. Os brasileiros dos 10% mais ricos recebem investimento educacional cerca de 20 vezes maior do que os 10% mais pobres.

Essa dicotomia entre uma das economias mais ricas do mundo e um mundo social entre os mais pobres só se explica porque nosso projeto de nação é sem lógica, sem previsão e sem ética. Sem lógica, porque não percebemos que "país rico é país sem pobreza", como diz a presidente Dilma. Sem previsão, por não percebermos a grande, mas atrasada economia que temos, incapaz de seguir em frente na concorrência com a economia do conhecimento. E sem ética, porque comemoramos a posição na economia esquecendo as vergonhas que temos no social.


Fonte: Cristovam Buarque, Destak, ed.210, ano 2, p.15

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